domingo, 21 de março de 2010

Aventura 4: Excalibur, ano 486


O ano de 486 começa preocupante. As invasões Saxões representam um perigo real para todo o reino. Há rumores de que o inimigo pode estar marchando neste momento para Salisbury. Outros acreditam que os bárbaros já estão por todo o reino. As fronteiras estão sendo reforçadas.

No grande salão do castelo de Sarum, a corte do Conde Roderick e seus Cavaleiros, recebem em um festim na hora do jantar o filho do Rei Uther, o jovem Príncipe Madoc. A música, regada a hidromel servida em taças cravejadas de pedras preciosas e pratos ornamentados oferecidos pelos cortesões como faisão, ovos de pata, queijos, pães, javali, peixe defumado, cordeiro assado, mel e frutas animou a todos os presentes. Sir Edgar e Sir Algar chamam a atenção dos nobres pelos feitos em combate na batalha de Vagon e Mearcred Creeck. Também estão presentes Sir Elad, Marshall do condado, Sir Amig, comandante da unidade onde os heróis lutaram contra os saxões e Sir Bag, um cavaleiro forte e gordo como um touro, que come quilos de comida por dia e tem um tom de voz gravíssimo que chama a atenção de todos.

O Príncipe Madoc discursa solicitando ajuda dos nobres presentes e pedindo para que cedam soldados de sua guarda pessoal. Ele partirá em uma cruzada solitária em direção à Colchester e caçará o invasor já que estão em bandos separados saqueando e pilhando. Diz que provará a todos de que é capaz de liderar e proteger o reino. Um silêncio constrangedor percorre o salão, quebrado pela notícia dada pelo Conde Roderick de que Merlim está de volta a corte do Rei Uther. Sir Amig também conta a todos os presentes, de que do outro lado do canal, o último posto romano do ocidente foi tomado por bárbaros e que o pretor pediu ajuda ao Rei que analisará a possibilidade de auxílio militar. Por fim Sir Elad designa Sir Edgar e Sir Algar para serem os comandantes de um posto avançado no extremo oeste de Logres entre Wells e Glastonbury onde durante o verão terão que patrulhar e proteger a fronteira. Sir Elad irá junto até o forte Vagon reconstruído, que fica no caminho da jornada que os heróis irão empreender, e Sir Bag os seguirá. No final do banquete o príncipe Madoc se aproxima para conversar com os jovens cavaleiros curioso de seus feitos. Como possuem a mesma idade, a empatia é recíproca.

No primeiro dia de jornada os heróis constatam que a estrada romana que vem do oeste está cheia de homens mutilados mendigando. São ex-soldados que perderam membros ou se tornaram aleijados durante os combates contra os saxões e como não tem trabalho pedem dinheiro aos viajantes. Também, camponeses que deixaram seus senhores abandonado suas terras rumam para o oeste fugindo das fronteiras de Sussex, as terras saxônicas. O grupo de cavaleiros lhes dão alguns dinares e seguem a viajem. Ao anoitecer chegam as ruínas do castelo de Grovely e todos se refugiam na antiga torre.

No segundo dia a comitiva chega ao forte Vagon. A distância os guardas vêm os cavaleiros se aproximarem e soam a trombeta de alerta. Imediatamente o portão da construção é aberta. Todos os soldados lhes prestam reverência e o sargento se aproxima e diz que é uma honra receber os heróis mais novos de Logres. Então os Cavaleiros atiram lanças em alvos acertando-os em cheio mostrando como melhoraram suas habilidades com armas, deixando Sir Elad muito satisfeito. Sir Edgar ensina os soldados táticas romanas de proteção ao forte e os soldados gostam muito do treinamento. Depois incentivam seus escudeiros a lutarem com espadas de madeira. Inexperientes até mesmo os soldados apostam e riem da disputa dos dois garotos. O escudeiro de Sir Edgar tem medo de Sir Algar mais é encorajado por seu mestre. Com duas tentativas patéticas de um escudeiro tentando acertar o outro, o escudeiro de Sir Algar desvia do golpe da espada de treinamento e acerta o traseiro do outro rapaz. Todos se divertem e riem.

Na manhã seguinte no terceiro dia de viajem Sir Algar, Edgar e Bag partem e adentram a floresta de Modron, conhecida por ser habitadas por seres mágicos e fadas. O grupo encontra dois sacerdotes druídas que conversam e abençoam Sir Algar. Sir Edgar e Sir Bag observam à distância. Com todo cuidado os heróis dormem em sua tendas de campanha e fazem o rodízio da guarda durante a madrugada.

Ao amanhecer do quarto dia, logo após tomar um café da manhã reforçado preparado pelos escudeiros, os heróis chegam a margem de um rio. Com o calor abafado e úmido do verão na floresta de Modron todos decidem se refrescar nas águas cristalinas do rio de fundo de pedras redondas. Mas após uma hora ouvem cachorros latindo no meio da mata. O som se aproxima rapidamente. Passos fortes na mata, de um animal pesado, também é ouvido. Próximo ao rio o som para totalmente. Sir Elad consegue rapidamente sair da água e com a ajuda de seu escudeiro vestir sua cota de malha e se armar rapidamente. Sir Bag desarmado, usando apenas ceroulas se protege atrás de um arbusto. Sir Algar na mesma situação decide sair da água e aguardar. Então uma fantástica criatura sai dos arbustos e começa a beber no riacho próximo aos heróis na margem oposta, fazendo um som estranho. Ela é como se fosse uma salamandra de dez metros de comprimento. Suas escamas brilham em tons dourados e furta-cor. Um brilho emana de seu corpo. Sir Edgar guarda sua espada lentamente e tenta se aproximar da bela criatura. Derrepente ela olha para trás e corre se enfiando por entre os arbustos e some. O som do tilintar da armadura e cascos de cavalo se aproximam vindo da trilha anterior da criatura. Então, do meio da mata, um cavaleiro, sem escudeiro, montado em um grande cavalo de batalha surge por entre as árvores. Ele observa os heróis: “Boa tarde Cavaleiros! Vocês viram Glatissant? Uma grande e peculiar criatura passar por aqui?” Os heróis lhe apontam a direção e tentam conversar, fechando o elmo apressadamente o cavaleiro atravessa o riacho com seu grande corcel e some pelo mesmo caminho, o som de cachorros de caça volta e parece vir de dentro da floresta.

Sir Bar sai de trás do arbusto se limpando da terra grudada e molhado sorri com sua voz grave: “Boa sorte Rei Pellinore de Galis! Minha mãe era de Wells e sempre me contava da lenda do rei pagão, que reinou no ano trinta de nosso senhor e que abandonou tudo para caçar uma criatura fantástica. Então, com a sua partida, o seu reino foi invadido e os seus inimigos destruíram sua família. Os dois, caçador e criatura estão condenados a este destino. A besta emite sons de cachorros de caça e isso sempre a trai, apesar de ser mestre em se esconder e disfarçar. Assim o Rei localiza a sua trilha, mas nunca consegue pegá-la e será sempre assim até o fim dos tempos.”

No quinto dia ao anoitecer os Cavaleiros chegam ao pequeno forte na fronteira oeste de Logres. A construção é bem simples. Somente quatro paredes de madeira formam o muro de proteção. Uma torre de guarda, um pequeno estábulo e dois alojamentos, um para soldados simples e um outro para os nobres. Esta época quente do ano na borda da floresta a vegetação está bem verde, passam correndo alguns animais como coelhos e raposas. Alguns falcões caçam. Os pássaros cantam o dia inteiro e a noite o som dos sapos e grilhos. Algumas crianças camponesas brincam no riacho próximo e poucos mercadores e agricultores sobem e descem a estrada de terra por dia. A milícia do forte é formada por doze soldados que combate à pé. Armados com espadas e escudos. Usam armaduras de couro com o brasão de Uther no peito, as três coroas amarelas empilhadas em um fundo azul. A rotina é bem entediante. Os Cavaleiros cavalgam pela fronteira todos os dias.

No décimo terceiro dia de patrulhas, acompanhados pelos seus escudeiros e cachorros, os animais começam a latir e a ficarem em alerta. Uma colina se entrepõe entre os burburinhos que os heróis ouvem do outro lado. Sir Edgar sobe silenciosamente a colina e dá de cara com uma cena assustadora. Quarenta escravos, homens, mulheres e crianças são amarrados pelo pescoço um no outro e caminham em fila com os pulsos amarrados. Eles caminham em um ritmo lento sendo chicoteados, xingados, cuspidos e mal tratados , estão em farrapos e em péssimas condições. Um grupo de quatro soldados saxões os acompanham tentando levar os escravos para suas terras. Dois deles conduzem uma carroça atrás do grupo com a carga coberta. E os outros dois escutam o som da armadura do cavaleiro, sacam suas espadas, pensando que Sir Edgar está sozinho e correm morro acima para atacá-lo. O cavaleiro imediatamente grita chamando seu irmão de armas: “Demônio!” Descendo o morro, realizando uma carga, Sir Edgar erra o primeiro inimigo que gira desviando seu corpo da lança e acerta as costas do herói abrindo um corte na altura da cintura. Puxando seu cavalo para a direita Sir Edgar acerta em cheio no pescoço do segundo saxão que também é atropelado pelo cavalo matando o inimigo imediatamente. Sir Algar chega pelo outro lado da colina, acerta o inimigo com uma carga, mas como o saxão está em uma posição mais alta acerta-o de raspão. Então Sir Edgar com a Sanctu Gladius o golpeia sem causar ferimento. Como se a lâmina sugasse a alma do inimigo o saxão cai completamente sem vida. Depois a fúria se volta para os homens da carroça que não tem tempo de se armarem e são mortos pelos dois cavaleiros um de cada lado. Sir Algar ataca com tanta fúria que atropela o homem desfigurando o saxão por inteiro tombando a carroça. Os escravos então são libertados e para o homem mais velho do grupo os heróis dão parte do saque que estava sendo levado na carroça pelos invasores. O que sobrou, os cavaleiros dividem meio a meio.

A rotina de patrulhas voltam na fronteira até que vinte dias depois cruzando uma estreita trilha por entre as árvores Sir Edgar e Sir Algar avistam uma cabana com paredes de pedra e telhado de palha. Ela está próxima a uma sebe que fica ao lado direito bloqueando a visão do quintal. O que chama à atenção é um cavalo branco que está amarrado próximo a janela. Seu dorso está coberto de sangue coagulado. Um pequeno rastro do líquido vermelho mancha a grama até o interior da casa. Uma mulher jovem de cabelos castanhos longos, de manto preto, usando um xale marrom nos ombros, com uma enxada na mão, trabalha nos canteiros. Ela se apresenta como Mãe Yarrow. E pergunta aos heróis se eles tinham vindo para ver o escudeiro que tinha sido achado ferido na floresta por um fazendeiro e o tinha trazido para a sacerdotisa lhe curar. Curiosos, os heróis entraram na cabana para ver o rapaz ferido.

Dentro da cabana, o ar tem um perfume de incensos de flores. Algumas velas iluminam o interior. Uma pequena estátua da deusa está colocada em um altar ao lado de uma pequena panela de ferro. Um atame repousa a seu lado, e uma taça de estanho cheia de água completa o cenário. Existe um pequeno quarto na parede oposta. Mãe Yarrow guia os cavaleiros até lá. Na penumbra vêm um menino deitado, suando muito, vestido com uma túnica branca. Seu rosto e mãos parecem arranhadas e hematomas roxos estão espalhados pelos braços e pernas. Sir Algar percebe os delírios do garoto que murmura algo sobre covardia, uma luta com um gigante e a morte de seu mestre. Então Yarrow trata o escudeiro e pede algumas horas para que os heróis aguardem até que lhe volte a consciência. Enquanto esperam, os Cavaleiros vão até o jardim acompanhados pela sacerdotisa e vem um poço rodeado de rosas abertas de todas as cores. Uma paz interior invade todos os presentes. Yarrow oferece a água curativa do poço para os Cavaleiros levarem em seus bornais de couro. Lá de fora todos escutam a tosse do garoto ferido e ele está acordando. Os heróis e a sacerdotisa vão até ao quarto e as lágrimas e muito traumatizado o garoto conta o que aconteceu.

Jakin: “Onde estou?” “Meu nome é Jakin e eu sou, ou melhor, eu era o escudeiro de Sir Dray. Ele está morto. Meu mestre e alguns cavaleiros foram enviados para investigar rumores de um hábito macabro que as pessoas daquela região têm. Eles descobriram que em Padstow, na época de Beltane, é escolhida a mais linda das camponesas intocadas do lugar. Então ela é levada até a fronteira da floresta Morris onde é colocada em meio a ramos de espinheiros que perfuram seu corpo inteiro. Até perder todo o seu sangue e morrer. Sir Garowin é o senhor local. E descobrimos que ele é responsável por esta prática.”

Jakin: “Então, partimos para caçar Garowin e por fim ao mal. Mas no segundo dia de viagem à tarde, próximo a Padstow, escutamos um grito de terror. Um choro triste e assustador invadiu a estrada vinda da mata próxima. Fomos investigar, apesar da recusa de alguns cavaleiros. Ao chegar próximo todos foram contagiados por aquela tristeza profunda. Sir Redigar, irmão de meu mestre, caiu de joelhos e com lágrimas nos olhos confessou suas matanças e pecados mais perversos. Todas estavam assim, pedindo perdão a Deus. Derrepente um gigante saiu de trás de uma grande pedra cheia de limo e atacou a todos nós, ele gritava algo sobre uma tesoura mágica que lhe pertencia. Pegos emocionados e de surpresa todos foram mortos. Eu fui atingido por pedras, troncos e corri como um louco por entre a mata, sangrando. Até que muito ferido desmaie e não lembro mais de nada.”

Yarrow então explica o que deve ter ocorrido: “Este é o choro de Gwrach e Rhybin. O choro do alerta. Dizem que antes de ser uma entidade ela era uma donzela bela. Seu choro sempre funciona como um aviso de morte. Acredito que é isto que eles ouviram na mata. O gigante que atacou deve ser Bolster. Ele vive nas colinas Blackdown há anos. As pessoas acreditam que ele é invulnerável e que tem essa tesoura mágica que ganhou das fadas para ajudá-lo a se acalmar cuidando dos jardins delas . Fiquem fora de seu caminho e se concentrem em quem vocês possam derrotar. Sir Algar, nossos destinos irão se cruzar novamente.”

Se despedindo e preparando-se para uma jornada até Padstow e solucionar o problema, os heróis encontram Sir Bag patrulhando a região. Ele vem cantando e distraído quando Sir Edgar lhe acerta uma pedra em seu elmo assustando-o e após, arrancando risadas do simpático cavaleiro. Ele se prontifica a comandar o forte enquanto os heróis partem em uma missão especial. Quando se despedem Sir Bag devolve a pedrada no elmo em Sir Edgar e os dois caem na risada.

Ao final da tarde ainda longe de Padstow na fronteira com a Cornualha, próximo a nascente de um rio, e cercado de bosques dos dois lados da estrada Sir Edgar percebe dois homens de cada lado escondidos na mata. Das duplas, um é arqueiro e o outro um cavaleiro. Os homens se revelam quando avistados e aos gritos tentam impedir a entrada da região pelos heróis. São homens do duque Gorlois e esgotadas as tentativas de conversa os arqueiros disparam. Sir Edgar saca a Sanctu Gladius cegando com sua luz brilhante seu atacante e levando o arqueiro a acertar a flecha em seu escudo, imediatamente o homem tem seus braços cortados pelo herói e o cavaleiro que o escoltava tem seu ventre aberto, com outro golpe, levando o homem a ficar pendurado pelos pés em seu estribo e o cavalo assustado a disparar e sumir em meio a mata arrastando o corpo. Enquanto isso Sir Algar degola com seu machado o outro arqueiro, que errou o disparo, matando-o instantaneamente e depois luta com Sir Luc, chefe da fronteira, que duela com habilidade incomum, o inimigo consegue tirar o machado das mãos de Algar, o escudeiro do Demônio do Norte lhe atira a espada que passa reto desaparecendo na mata. A luta começa a ser dramática. Um ferimento é recebido, Sir Algar luta corajosamente com apenas uma adaga. Até que Sir Edgar se aproxima e propõe a rendição do corajoso cavaleiro que joga seu escudo aceitando, entrega sua espada a Sir Algar e parte dali de cabeça erguida.

Para Padstow, perto do meio dia, na margem da nascente do rio Parret, entrando nas suaves e verdejantes colinas Blackdown, os heróis avistam uma cena assustadora. Os corpos de três cavaleiros jazem ao lado da estrada com seus membros torcidos e quebrados. Fraturas expostas e sangue seco chocam os jovens heróis. Alguns animais já se alimentaram dos restos. Moscas voam e pousam nas carcaças. Logo à frente parte de dois cavalos estão deixadas ali. Eles estão sem cabeças e somente parte do tronco e as entranhas saindo cobertas de vermes podem ser vistas. Mais quatro corpos devorados com as armaduras quebradas e lanças em pedaços jazem próximo. Mais cavalos mortos compõem a cena. À frente os corpos dos escudeiros destes cavaleiros estão pendurados, sem pele, de ponta cabeça nas árvores e são comidos por corvos.
Oito horas depois Sir Algar e Sir Edgar chegam a Padstow em meio a comemoração de Beltane. É começo da noite ao longe existem dezenas de fogueiras acesas ao longo da estrada. Em um grande descampado em frente à cidade enormes bonecos de palha de quatro metros de altura são queimados. Carroças passam cheias de pessoas que os cumprimentam animados. Crianças, velhos, jovens, celebram. Um grande poste de madeira cheio de fitas é erguido no centro da vila e as pessoas dançam ao redor dele. Alguns bebem, outros cantam. Muitas moças e rapazes riem e flertam. O som de tambores é alto e ritmado. Muitas sacerdotisas druidas caminham pelas ruas. Alguns homens jovens passeiam fantasiados de gamo rei e algumas meninas pintaram seu corpo com runas e símbolos mágicos da fertilidade. Sir Edgar fica um pouco intimidado pelas comemorações pagãs, mas acaba dançando com os camponeses que o recebem muito bem. Em barris cheio de hidromel Sir Algar se serve enquanto tenta flertar com as beldades da vila. Infelizmente com a sua falta de sutileza e com seu machado pendurado em seu cavalo ele assusta as garotas que se aproximam. Conversando com um camponês Sir Algar descobre onde fica o castelo de Sir Garowin e imediatamente partem para lá. Na fronteira da floresta Morris os heróis encontram uma barreira de espinhos com aproximadamente dez metros de altura e um grande castelo em um monte em seu interior. Entre a barreira e o castelo existe uma floresta densa. Trotando em meio a escuridão os cavaleiros acham uma estaca ritualística,igual a da vila, mas na cor negra. Quatro tochas a cercam. Amarrada na estaca está uma jovem menina. Ela está vestida de preto. Das muralhas naturais do castelo saem espinhos que envolvem a garota. O seu corpo está todo transpassado pelos enormes espinhos. Seu corpo está inçado pelos espinhos e seus pés não tocam o chão. Trilhas de sangue escorrem pelo seu corpo. E uma grande poça se forma embaixo da menina. Ajoelhados em frente ao suplício da garota está um casal de camponeses que chora. Descobrindo que são os pais da garota Sir Edgar e Algar tentam retirá-la, mas cada tentativa só agrava a saúde da menina e os espinhos se regeneram.
Então, um Cavaleiro imponente em sua armadura negra e em seu corcel da mesma cor se aproxima. Ele e sua guarda pessoal com doze cavaleiros circulam Sir Algar e Edgar por alguns instantes. Ele empina o cavalo como um desafio. Finalmente para e abre seu elmo. Um homem com o rosto marcado com dezenas de marcas encara os heróis, deve ter uns trinta e poucos anos. Ele possui olheiras e olhos castanhos fundos. Sir Edgar percebe que das marcas do rosto do homem saem pequenos espinhos. Com muita arrogância ele fala.
Sir Garowin: “Quem são vocês forasteiros?” “Deixem a garota e partam agora! É um costume local que vocês estão tentando impedir. Escolham um bastardo de um de vocês para lutar comigo em um combate justo na tradição da Cavalaria da Cornualha. Se perderem renunciarão pelo tempo de um ano, os benefícios e o título de cavaleiros. Somente eu, depois deste tempo terei poderes para restaurá-lo. E com a apresentação de uma donzela intocável que será oferecida para o sacrifício no Beltane por vocês. Se derrotado eu me disponho a soltar Lady Meredity e destruir está cerca de espinhos. A escolha das armas é sua.”

Sir Edgar aceita o duelo, todos os presentes fazem um círculo ao redor. Sir Garowin empunha uma grande espada de duas mãos. Sir Edgar tem a Sanctu Gladius em suas mãos. Derrepente, antes de a disputa ocorrer um som triste e profundo preenche o ar. Um lamento, triste, agudo e sombrio. O som enche o coração de todos com sentimentos tristes. Um arrepio que vai do alto da espinha à baixo traz solidão e mau augúrio. Sir Garowin fica pálido e transtornado com lágrimas nos olhos e fica em silêncio. Derrepente o homem, em um movimento brusco, sobe em seu cavalo e trota para o lado oposto em galope veloz para longe dali, sua guarda pessoal o segue. O pai da garota, presa nos espinhos, se aproxima.

Rikard: “Obrigado por tentar nos ajudar. Sir Garowin era um bom homem, mas quando se apaixonou pela esposa de Sir Warren Daye enlouqueceu. Então traiu Sir Daye aprisionando-o atrás desta barreira de espinhos onde existe a grande floresta. Se os nobres senhores querem ajudar Meredity e nosso povo, resgatem o homem, se ainda ele não estiver morto.”

Sir Algar então se concentra e começa a ver a barreira de espinhos pulsar magicamente. Um sussurro em seus ouvido diz: “Procure a mãe Yarrow, ela os guiará até mim.”

Quando retornam à cabana de mãe Yarrow ela está trabalhando nos canteiros do lado de fora. Os heróis contam sobre a barreira de espinhos e os rituais que ocorrem naquele lugar. Então ela diz.

Yarrow: “Meus nobres Cavaleiros. No passado se fazia a jornada para o outro lado através do poço das rosas. Podemos tentar. É muito perigoso e o espírito de vocês deve estar preparado para enfrentar fenômenos nunca antes visto por seus olhos. Esta viajem pode ser feita uma vez. Se fizerem novamente poderão ficar presos do outro lado do véu ou viajar para outros planos etéreos, nem sempre lugares bons.”

Então ela leva Sir Edgar e Algar até o posso no jardim e manda eles descerem. Após alguns metros eles são envolvidos em profunda escuridão. Somente o som da água pingando por entre as paredes e o eco das vozes é ouvido. Gradualmente atingem o fundo do poço. O topo, na boca do posso não pode ser mais visto. Somente a escuridão total permeia tudo. Uma pequena corrente de água transparente e cristalina corre por uma abertura na parede enquanto o corpo dos heróis flutuam nas águas geladas. Uma luminosidade começa a envolver os corpos vindo do seu interior e a medida que entram pelo pequeno túnel a escuridão se dispersa e uma luz os envolve e os cega. Derrepente os heróis se vêm em um córrego raso que desemboca em um lindo jardim com gramas verdejantes e árvores frutíferas. O céu é de um azul intenso sobrenatural. Pequenos animais correm para se esconder. Tudo parece permeado por uma luminosidade mágica. O aroma de flores permeia o ar. Um caminho feito de orquídeas sobe uma pequena colina. A entrada de uma clareira no meio da floresta encantada tem um arco feito de flores raras. No alto da clareira em meio a canteiros que emanam cores fortes em formatos geométricos está de pé uma mulher de beleza inigualável. Vestindo guirlandas de flores que contornam seu corpo e usando um manto com inscrições antigas ela possui uma forte presença. Ao mesmo tempo sedutora, encantadora e amedrontadora. A mulher mais bonita que aqueles homens já viram.

Bona Dea: “Bem vindos Cavaleiros! Qual a razão de virem aos jardins de Bona Dea?”
Os cavaleiros explicam os problemas em Padstow e Sir Garowin.

Sir Edgar sempre em alerta com a presença da fada fica mais distante e Sir Algar fica completamente apaixonado pela bela mulher. Então ela fala:

“O Cavaleiro a que vocês se referem é Sir Garowin, roubou uma rosa negra de meu jardim e eu o amaldiçoei. Ele veio até mim como vocês. Trouxe uma tesoura mágica roubada de gigante Bolster e cortou o caule e levou à rosa. Já que com as mãos humanas seria impossível roubá-la. Os espinhos que saem de sua pele foram obra de minha mágica. Para construir esse muro ele teve que combinar a magia dos espinhos de seu corpo combinado com um sacrifício feito com a tesoura das fadas. Ajudarei-lhes a passar pelo muro, mas vocês terão que me dar duas coisas em troca. Uma ação e a outra será a palavra.”

“Preciso que vocês me tragam novamente a rosa negra roubada. E agora a segunda tarefa. Vocês terão que me comparar a flores e me dar razões para isso.” A rainha fada, ri alto com a proposta e os olha com malícia.

Inspirado pela beleza de Bona Dea, Sir Algar compõe um lindo poema para a fada. Ela fica lisonjeada com as palavras do Cavaleiro.

Sir Edgar então diz: “A ação, deixe comigo.”

“Sigam-me” Diz a fada olhando maliciosamente. Depois de andar pelo jardim ela para em uma parreira. Existem várias estacas segurando-as. “Escolham cuidadosamente, uma delas lhes guiará por entre os espinhos. O coração de vocês lhes influenciará a escolha. Não existe uma resposta certa, somente um sentimento correto. Estas são as espadas das rosas e cortarão os espinhos que se colocarem a sua frente. Será de vocês até me devolverem à rosa roubada.”

Sir Algar escolhe uma rosa vermelha que simboliza a misericórdia, então a rosa se transforma em uma claymore de duas mãos, com uma lâmina de aço perfeita e no cabo uma grande rosa encrustada com um rubi se desenha na empunhadura. Sir Edgar escolhe a rosa azul que simboliza a coragem e o mesmo acontece, também se transformando em uma espada. Só que a rosa na empunhadura tem uma safira.

Então a fada da primavera pega um punhado de pólen retirado de uma estranha planta e sopra nos rostos dos cavaleiros. Uma entorpecência turva a visão dos heróis. Aos poucos eles se sentem caindo, tudo começa a rodar e escurecer. Então eles acordam caídos na fronteira da floresta de espinhos.

Agora é dia. Se aproximando da barreira de espinhos e da garota, os cavaleiros vêm os pais dela lhe dando água, ela está semi morta. Com as espadas os cavaleiros tentam retirá-la, mas isso pode levá-la a morte. Então Sir Edgar e Sir Algar abrem com as espadas da fada um caminho por entre a barreira. Os troncos marrons com espinhos se encolhem e finalmente os heróis adentram a floresta. Caminhando por entre as grandes árvores da floresta silenciosa nenhum animal ou pessoa é visto. Depois de algumas horas eles atingem uma trilha e chegam a uma clareira circular. Um homem muito magro está no centro sentado assando um pequeno coelho que já está carbonizado. O homem não nota a presença dos heróis e nem que sua comida está queimada. O homem parece hipnotizado. Vestindo uma armadura destruída e imunda. Sua aparência é a de um mendigo com barba e cabelos longos e imundos. Então, ajudado por Sir Edgar ele começa a falar.

Sir Warren Daye: “Eu costumava ser um Cavaleiro há quatro anos. Minha esposa Lady Eliza e eu chegamos a Cornualha. Nosso amor era cantado pelos bardos. Ela era a mais bonita das donzelas. Sua beleza era inigualável. Apresentamo-nos a Sir Garowin, já que pretendia morar nestas terras. O homem colocou seus olhos em minha esposa e ficou obcecado. E ele infelizmente conseguiu destruir o nosso amor. Desafiei-o por suas palavras ousadas tomado pela fúria. Finalmente duelamos e eu o venci com facilidade. Ainda sinto a vitória ainda em minhas veias. Sir Garowin me amaldiçoou e voltou depois de três dias com um presente, algo mágico, uma única rosa negra. Perfeita, com aromas de chuva de verão, entregou a minha esposa e tudo ruiu. Ela um belo dia me abandonou e foi embora com o desgraçado. Renunciei a cavalaria e minhas armas, fui atraído por um encontro marcado para nos conciliarmos até a floresta, então a grande barreira de espinhos se fechou e fiquei aqui. Depois, soube que Sir Garowin cansou dela e para se livrar da doce Eliza pediu uma prova de amor. Ele exigiu que se ela o amasse realmente cortaria seus pulsos com uma tesoura de ouro que ele possuía e deixaria seu sangue correr. Ela, como que por encantamento o fez, não resistiu e morreu. Seu lamento na hora da morte foi triste e solitário e pode ser ouvido ao longo da floresta. Todos de Padstow sabem que podem ouvi-la até os dias de hoje. Mas, parece que algo mudou, agora eu estou livre graças a vocês. Quero sair deste maldito lugar assombrado. Mas antes preciso nomear um campeão para que lute em meu nome e restabeleça minha honra, só assim a maldição que envolve nós três será quebrada. Estou magro e fraco e com certeza não conseguiria vencer Sir Garowin.”

Quando Sir Edgar, Algar e Warren saem da floresta, Sir Garowin cavalga próximo a fronteira da floresta de espinhos junto com sua guarda pessoal, os doze cavaleiros bem armados. Na lapela de sua armadura escura está a rosa negra.

Sir Garowin: “Então voltaram insolentes e vejo que na companhia de um perdedor. Vieram acabar nosso duelo? Ou irão correr como donzelas para Salisbury?”

Sir Edgar responde: “Foste tu que fugiste da última vez, covarde!”

Sir Daye responde: “Você terá o que merece desgraçado!”

Então os dois cavaleiros se preparam. Fecham os seus elmos e caminham em formato de círculo para a esquerda se estudando. Sir Edgar com a espada da fada e Sir Garowin com sua claymore de duas mãos. No primeiro golpe as armas se chocam e a espada de Sir Edgar se transforma em um caule que se enrola e seca em volta da claymore do inimigo. Em um segundo golpe, rapidamente Sir Edgar saca a Sanctu Gladius e corta a espada de Garowin, que tenta se defender com a espada horizontalmente, como manteiga e atinge a armadura do Cavaleiro que tem sua porção esquerda do corpo completamente dilacerada. Sir Garowin cai morto e a rosa negra rola de sua armadura para o chão. Neste momento a muralha de espinho se contorce e seca explodindo em poeira. Lady Meredity é libertada. Apesar de muito ferida ela respira, mas está inconsciente. Os pais da donzela choram abraçados com ela. O corpo do Cavaleiro se transforma em um tronco seco de cor escura. O chefe da guarda pessoal do homem acena com a cabeça para os heróis. “Atenção homens! Está tudo acabado! Retirada!”

Em meio a uma luz branca, Bona Dea surge por entre as árvores da floresta, coelhos, raposas e esquilos a seguem. Passarinhos lhes pousam nas mãos e ombros. Ela abraça a moça e seus pais. Os ferimentos da garota melhoram. A fada sorri. Sir Algar entrega a rosa ela fica muito satisfeita. Sir Edgar diz: “Aqui está o que prometemos. Afinal, todas as rosas tem espinhos, não é?” Ela concorda com um riso malicioso. Então, o espírito de Eliza aparece a distância. A fada lhe sorri e gesticula para a donzela se aproximar. Escorrem lágrimas de seus olhos e de seu ex marido. Ele diz: “Eu te perdoo!” Ela concorda com a cabeça e desaparece em meio a uma bruma densa e luz branca intensa. A fada também desaparece e a espada que estava nas mãos de Sir Algar vira uma rosa vermelha que cai na grama e germina. Cavalgando até o castelo de Garowin, que está com a ponte levadiça baixada e seus servos deixando o local com a notícia da morte de seu senhor. Os jovens Cavaleiros revistam o quarto e acham a tesoura encantada das fadas. Ela é forjada em ouro e emana um brilho mesmo à luz do sol.

Dirigindo-se as colinas Blackdown os heróis começam a procurar o gigante Bolster. Mas não acham a vil criatura. Enquanto cavalgavam, depois do almoço, um homem vestindo uma esfarrapada roupa cinza coberta por pele de cabra lhes acena a distância próximo a base de uma íngreme colina coberta de grama. Ao se aproximarem eles notam que ele é um homem de idade avançada, curvado e muito pobre. Seus cabelos longos brancos e barba longa suja demonstram que é um homem com poucas posses. Eles está acompanhado de três carneiros e duas cabras. Ele pede para que Sir Edgar e Algar subam a colina e ajudem a trazer de volta a sua cabra favorita. Como bons cavaleiros os heróis sobem o morro atrás do animal. Sir Algar sobe a pé e Sir Edgar com sua montaria. Os escudeiros e o velho ficam lá embaixo. Em uma ruína romana no topo do morro está uma cabra grande e preta. Sir Algar se aproxima e tenta pegá-la, mas ela corre para dentro da mata próxima. Ela chora dentro da grande folhagem. Afastando um enorme arbusto surge rugindo, um gigante. Uma criatura com três olhos. Possui o rosto todo disforme e é magro e muito alto. Talvez três metros de altura. Exala um cheiro de podridão e suor. Ele se aproxima carregando a cabra pelo chifre. Ela chuta o ar e grita. Quando vê vocês a criatura perde o interesse pelo animal e o deixa de lado. Imediatamente o gigante pega uma pedra gigante e atira em Sir Algar e sua montaria. O Cavaleiro consegue virar o cavalo e se abaixar de costas na sela e a rocha passa raspando pela sua cabeça derrubando três árvores atrás dele. Então o gigante fala: “Eu sou Bolster! E vocês não vão me roubar nada! Eu odeio homenzinhos de corpos brilhantes e cabeça duras de morder”

Sir Algar se aproxima mostra então a tesoura mágica. Os olhos do gigante brilham. Ele se aproxima, pega a tesoura bruscamente derrubando o herói e desaparece entre as folhagens.
Em meio a bruma densa que se forma contra a luz forte e branca uma silhueta humana se aproxima. A luz forte vai diminuindo e quando finalmente apaga Merlim está a frente dos heróis. Ele sorri. O grande mestre druida usa um manto azul escuro com runas de Avalon, com a barba e cabelos brancos compridos, pode-se notar que ele é um homem de idade avançada. Mas sua presença é imponente e cheia de energia. Ele caminha com um cajado de carvalho.

Merlim: “Passaram no teste meus jovens! Sigam-me nobres cavaleiros, venham!”

Sir Algar e Sir Edgar o seguem em passos rápidos o druida permanece calado. Merlim então faz uma série de gestos mágicos e caminha sem olhar pra trás. Sir Algar deixa seu cavalo amarrado e os heróis caminham mais um pouco mata à dentro até próximo de uma lago de águas limpas e margens de pedras pequenas quando então Merlim diz:

“Olhem, protejam-me agora bons cavaleiros, pelo amor de seu rei e de suas vidas.”

Vindo de dentro do lago cavalgando em direção a mata por entre os arbustos um cavaleiro se aproxima. O homem e seu cavalo possuem uma cor negra esverdeada Ele olha para os heróis e imediatamente duas espadas brotam de suas mãos. A agilidade dos dois é impressionante. O cavaleiro e sua montaria seguem em sua direção em locais onde até caminhar é impossível.

Merlim grita: “Façam o seu trabalho cavaleiros!”

Merlim então se dirige a um pequeno barco à margem de um lago. Ele não olha para trás. Sir Edgar e Sir Algar estão entre o cavaleiro verde e Merlim. O seu trabalho é evitar que o homem ataque o mestre druida. O cavalo deixa uma trilha de água atrás dele. Eles percebem que o cavaleiro e cavalo são somente uma criatura. A luta que se segue é rápida. Sir Algar atinge com o machado a criatura, sua mão atravessa o inimigo que jorra água. Sir Edgar com a Sanctu Gladius faz o mesmo. O Nukalevee, criatura lendária, revida, mas não acerta os cavaleiros. Com mais dois golpes se esvaindo em água, a criatura desaparece em uma poça de água verde e viscosa.
Então o druida grita:

Merlim: “Obrigado, fizeram bem o seu trabalho cavaleiros. Não irei esquecer da sua bravura. Subam, rápido”

O barco desliza calmo com os heróis até o meio do lago. Uma leve brisa sopra trazendo uma fina bruma que vai os cercando lentamente. Merlim murmura baixo na paisagem silenciosa e se levanta com os braços abertos. Tudo fica em silêncio total por alguns minutos. A água do lago fica totalmente lisa. Tudo ao redor parece emanar uma aura viva e vocês tem a sensação de que cruzaram um fino véu translúcido. Então, vindo das profundezas do lago um braço feminino se levanta da água escura empunhando uma linda espada brilhante cercada de luz. Ele se agacha no barco e pega a espada com as duas mãos. O braço imediatamente desaparece dentro da água. Merlim permanece de pé e lentamente o barco se move suavemente até a margem. Novamente o fino véu que separa os dois mundos é atravessado e tudo volta a ser o que era. Os sons dos pássaros, o vento e a água. Todos desembarcam, Merlim guarda cuidadosamente a espada dentro de seu manto. O barco volta sozinho para o meio do lago e desaparece em meio a bruma.

Merlim: “A bretanha está em dívida com vocês! Não digam nada a ninguém o que viram aqui. Vamos embora.”

No caminho de volta Merlim desaparece em meio mata. E Sir Edgar e Sir Algar decidem voltar ao forte.

Finalmente quando caem os primeiros flocos de neve os Cavaleiros recebem ordens para retornar a Sarum. A volta é tranquila. Os campos já estão congelados e as estradas cobertas pela neve. Poucos animais são vistos. É tempo de voltar para casa. Vindo do leste um homem se aproxima. Ele presta reverência:

Mensageiro: “Senhores sou mensageiro do rei Uther e levo uma mensagem a Sarum para o conde Roderick e seus cavaleiros”

“No leste os Saxões continuam a escravizar britânicos, pilhar e matar qualquer um que cruze seu caminho. O Duke Lucius atacou-os perto de Ipswish mas foi emboscado e assassinado. O rei Uther enviou Sir Brastias e ele conseguiu barrar o avanço inimigo mas o impasse na região continua e nenhum movimento significante foi obtido. Mais refugiados estão vindo para Selchester e Salisbury todos os dias. O rei aumentou a produção de armas e está muito sério e preocupado neste natal. Sua majestade manda avisar a todos os seus cavaleiros vassalos que no natal virá com sua corte para Sarum e espera recebê-los e obter todo o apoio que precisa para a guerra.”

Se aproximando de Sarum e de seus feudos um grupo formado por cinquenta homens vem na direção de Sir Algar e Sir Edgar, estão com suas famílias e são camponeses. Levam ferramentas de trabalhar nos campos. Se ajoelham quando-os vêm. Um deles fala com humildade. “Meus bons Cavaleiros.” O homem se aproxima dos cavalos e os beija as mãos. "Nossos senhores foram mortos pelos saxões em Colchester. E suas terras capturadas. Estamos, desde então, fugindo para o oeste em busca de proteção. Os camponeses souberam de seus feitos em Vagon e Mearcred Creek. Dos feitos do Demônio do Norte, com todo respeito meu senhor, contra Olaf e Swefred e que Sir Edgar, o cavaleiro de cristo, capturou a espada milagrosa que protegia o Apóstolo Paulo. E mais, soubemos que pouparam a vida dos rebeldes próximo a Silchester. Então, gostaríamos de segui-los. Prestar-lhes vassalagem e pegarmos em armas em seu nome. Seria uma honra, morreríamos pelos senhores em nome do Rei se precisássemos!”

Os heróis então pedem para que os camponeses os sigam dando lhes abrigo. Assim acaba o ano de 486. No final desse ano fica uma pergunta importante na mente dos heróis. Será que tudo que aconteceu foi real ou apenas um teste de Merlim?

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Excalibur....feita apartir da espada prima calibur, a espada de césar....
    Mesmo os reis mais poderosos precisam apelar para as antigas glórias dos povos de outrora...
    Tsc...fazer oq romanos sempre serão os fodões...hehehe.

    ResponderExcluir